sexta-feira, 15 de abril de 2011

A ti de qualquer modo


"estava a te desenhar em versos e prozas. quando de repente entendi que não haviam palavras para falar desse amor maldito que tanto me derrama em vírgulas.
torta fiquei entre beijos e recados que você ainda não responde. minhas cartas são meu coração embrulhado. verbos e adjetivos em carne viva. perto de qualquer machucado que nunca cicatriza.
não sei se meu recado de agora te alcança. minha palavra cantada pode funcionar como desculpas também. caso falar contigo desse amor de doa tanto quanto a mim.
não quero que doa qualquer palavra, aqui são pedaços de sentimentos costurados, alinhavados com um pouco de tempo. de água, de vinho também.
meu recado, ah, esse ultrapassa a noite escura da insônia. meus versos correm sangue grosso, pisado, feito ungimento. é mistura de veneno e alimento. não sei mais de onde falo. dou voz a qualquer pedaço de mim que não conheço, mas que ama. assim como o outro lado. que sofre. sem saber de que.
mando-te flores. qualquer uma que exale um doce perfume que mata. mata a fome. porque me alimento quando de qualquer modo te sacio.
deixo memórias na cabeçeira quando saio pela manhã. se te encontro?
não sei.
talvez dentro de mim sua fotografia esteja oxidando."

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Gosto de você


"gosto dos abraços fortes, dos carinhos de dengo, dos beijos calmos, onde bocas se encontram num exercício de poesia.
sou daquelas que acredita no amor, que sente saudades e que chora, mesmo que chorar não sirva para muita coisa.
gosto de bilhetes, de recados, de relógios, que estão parados. gosto de ouvir, mas ser ouvida é para mim ainda mais delicioso. gosto de amar sem pedir licença. gosto de amores que entram, espalham as folhas, desarrumam gavetas, depois se leva tempo para se arrumar tudo, juntinho. tomando um café, ouvindo um blues.
gosto de você. assim. tão simples que chega perder a graça encantada do romance. mas é assim mesmo. gosto de como você me olha. de como me deixa sem ar, de como se aninha no meu colo. de como me ama. de como você me diz do seu amor.
gosto de me deixar levar por suas promessas. por seus encantos. sua simplicidade e tranquilidade. gosto de ti e ponto. porque além de ti, em mim, existe um pedaço enorme de você!"

sábado, 26 de março de 2011

Ao teu abandono


"mando notícias minhas através do vento que ao cair da tarde toca sua pele macia e branca. o aperto no peito vem para te lembrar do amor que existia e você por motivos estes condenou.
mando notícias porque meu coração não se cansa de esperar pelo dia da sua volta. as horas nos levam cada vez mais para longe. haverá regresso? o tempo essa enorme alavanca do destino, nos afasta. asfixia o ar da saudade e me entorpece de pavor ao ver que o portão jamais se abrirá;
quanto tempo ainda resta para que meus olhos possam pousar sobre a tua calma aparente? quanto tempo ainda serei torturada, castigada, por erros infantís?
nunca mais haverá perdão, meus erros foram fatais a ti?
pensei que no amor essa estranha fatalidade era condição e não estado. pensei. amor como esses onde unir significa transformar dois em um, pensei que não houvesse fim.
de que forma devemos agir? naturalmente como virar a página para prosseguir a história?
eu acho que não há nada que possa destruir completamente um amor como o nosso. a menos que de qualquer modo, não exista mais aquilo que nos uniu.
meu recado para ti é passivo a correções. peço ao teu abandono que revogue meu direito de te amar sem medidas. é isso que peço. que permitas que eu te ame. de qualquer modo, seja como for."

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ode ao fim


"o trepidar da vida me assombra. estou de qualquer forma dizendo sempre adeus. não sei o motivo exato, o que sei é que é sempre assim. existe um eterno fim em mim.
é preciso acreditar que nada dura eternamente, que nem sempre existe final feliz. estamos sempre a dizer nossa última palavra, a cometer nosso gesto último.
histórias de amor tem fim. não há nada que começe que não teermine. o fim devia ser algo natural, como começar. mas existe algum mistério em se ver o fim.
será que não somos capazes de compreender nossa própria finalidade? somos finitos. andamos de mãos dadas com a morte.
haverá o dia em que nenhuma palavra será mais inteira.
seremos nós mesmos, sobras."

quinta-feira, 24 de março de 2011

Fragmentos de uma despedida


"eu te vejo ir sumindo. sem deixar qualquer bilhete. sinto sua partida como quem pressente o próprio fim. acabou.
(mas, o amor acaba?!)
mofa sua roupa e seu perfume aqui. vazio de partida. nada. retumba o som dos teus pedidos e desejos. silêncio. pontas de cigarro no chão. pedras coloridas dissolvendo no estômago. palavras. cada palavra tem uma cor.
(qual a cor da saudade?)
sua palavra fria a retumbar meus ouvidos ainda inflamados de amor. crueza dos fatos subordinados. abandono. retumba implacavelmente suas palavras de amor agora. o resto da vida durou um ano e três meses, não?
(c0mo se mede o tempo?)
devolve só a paz. aquela que me touxe quando chegou. devolve só o olhar amendoado brilhante. aquele que um dia te encantou. depois bate a porta. não olha para trás. segue. afinal. precisas de amor de alguém que de fato quer-te muito além de mim. o meu amor por ti não serve. erva daninha.
(destruo tudo que toco?!!, acho inevitavel isso.)
vais embora então. malas por fazer. decisão tomada. fim. e depois do fim, o que se diz?
Não entendo. peço ao tempo que me faça esquecer. pois lembrar é saber que perdi o homem que mais amo em toda minha vida.
não faço súplica,
desabafo.
Eu amo você apesar de acreditar que jamais saberei fazer você feliz.
Obrigado por tudo. por todos os dias, horas, segundos.
cada palavra, carinho, gesto."

Recado ao tempo


"que seja breve. de qualquer modo, que este sentimento seque. se tranforme com o outono em folha seca. assim, amarga será a lembra. menos doce a saudade.
que seja breve, meu caro amigo, pois doer fundo é morrer sem saber de que se morre afinal. que seja breve, para que eu possa sofrer a meu modo. sem deixar vestígio de qualquer felicidade.
preciso que esse breve momento, seja ainda mais breve, para que minha voz não se cale para sempre. amor mudo. ainda que amordaçado.
que seja breve o trepidar dessa ventania, que a quatro ventos se espalhe e se transforme em mera memória surda. que não atende por nome, por não saber mais. mando-te recado. rezo a ti ladainha da saudade e do passado. minhas asas tentam alçar voo razo. me espalho. catar o resto de mim é tarefa ádua. mas saberei juntar com o adiantamento das horas.
hoje ainda é presente sua ausência. mas as horas nos separam.
as horas nos separam para sempre."

Bilhete de despedida


"Jamais deixe de acreditar que te amo. o amor que sinto está além de julgamento.na verdade, qualquer sentimento está acima de qualquer subjulgação. Nunca se esqueça também de que você foi o único pelo qual pude lutar. viver é óbvio demais para mim.
esteja certo que levarei comigo em qualquer canção que eu ouça, o seu olhar de verde-azul tão esperança. e que sua companhia estará comigo. seja como for.
me perdoe por todos os erros, mentiras e discussões. jamais estarei aos pés do seu sentimento. esteja livre para amar e ser amado grandiosamente. o meu amor distrói. machuca.
estou sangrando daqui, continuarei por um tempo até quando não puder sentir mais nada, quando estiver suspensa.
Morta.
Seja feliz!
seja como for."