
"estava a te desenhar em versos e prozas. quando de repente entendi que não haviam palavras para falar desse amor maldito que tanto me derrama em vírgulas.
torta fiquei entre beijos e recados que você ainda não responde. minhas cartas são meu coração embrulhado. verbos e adjetivos em carne viva. perto de qualquer machucado que nunca cicatriza.
não sei se meu recado de agora te alcança. minha palavra cantada pode funcionar como desculpas também. caso falar contigo desse amor de doa tanto quanto a mim.
não quero que doa qualquer palavra, aqui são pedaços de sentimentos costurados, alinhavados com um pouco de tempo. de água, de vinho também.
meu recado, ah, esse ultrapassa a noite escura da insônia. meus versos correm sangue grosso, pisado, feito ungimento. é mistura de veneno e alimento. não sei mais de onde falo. dou voz a qualquer pedaço de mim que não conheço, mas que ama. assim como o outro lado. que sofre. sem saber de que.
mando-te flores. qualquer uma que exale um doce perfume que mata. mata a fome. porque me alimento quando de qualquer modo te sacio.
deixo memórias na cabeçeira quando saio pela manhã. se te encontro?
não sei.
talvez dentro de mim sua fotografia esteja oxidando."





