
Os dias foram entrando casa a dentro. As palavras foram mofando de tempos em tempos. As frutas da geladeira deixaram o doce amargar. As folhas começaram ficar amarelas. O sentimento mudou de lugar como qualquer móvel da casa;
Os meses passavam com o chegar dos sêlos das cartas que vinham de longe. Nunca mais houve diálogo. deleitávamos ou fugíamos em monólogos extensos. Era fácil saber quando já era noite; a palavra adormecia.
As horas foram nos devorando. os cabelos e a barba crescendo feito grama regada por chuva. a esperança vai mudando de cor. vai se refugiando de um verde-azul que anda longe. perdido? (!?)
As verdades vão se dissipando num espaço chamado vazio e a alegria vai incomodando. Parece que ser triste é ser-humano. condição.
Soletrar palavras é denunciar qualquer desespero que não grita; geme. escrever torna-se impossível porque palavrear coração é tarefa que foi dada a poetas. (não sou?!) devagar vou deixando que a saudade traga de volta qualquer vestígio ou pista de que felicidade existiu. e sorrio. mesmo que neste sorriso aja mais tristeza que vontade.
no fundo,
adormecer é mais difícil que pensei."

