Mostrando postagens com marcador com amor e muita saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador com amor e muita saudade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bem de Leve

bem de leve, chega e me leva.
bem de leve, me abraçe.
deixa que sobre teus ombros eu derrame minha fúria. meu medo. meu delírio.

bem de leve,
escorregue as mãos sobre meus cabelos.
demore-se na carícia da nuca, para que eu me sinta tão desejada quanto desejo.

bem de leve,
me ponha no colo,
extenda no exercício de me fazer chorar. para que de alegrias morra em teus braços.

bem de leve, me beija.
e neste beijo entregue-se,
para que de amor, eu me enfeite e viva.

bem de leve, me aqueça;
porque está frio meu amor,
e meu corpo já não resiste sem o seu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Da partida

Amanhã cedo vou partir. Levarei meus livros de poemas, que você sempre quis começar e nunca teve tempo de ler.
Amanhã cedo vou pegar a primeira viagem. Levarei o maço de cigarros quase vazio, que você fumou depois de fazer amor comigo. como todas as vezes.
Amanhã cedo vou partir. Guardarei na mala só um pedaço do amor que contruimos e que se perdeu sem que tivéssimos de fato culpa.
Amanhã cedo, bem cedo, antes de você acordar escreverei um bilhete tão mudo que a palavra deixada será apenas ausência. Acho que não caberá qualquer outra palavra, nenhum outro verbo.
Arrumarei a mala sem que você perceba que chegou o fim. Para que só sintas a falta quando o trem já tiver partido. Será menos dolorosa a nossa despedida.
Lembrarei de todas as canções que escutamos juntos, do céu estrelado, das juras de amor, das inúmeras vezes que me perdi dentro dos teus olhos. Da janela do vagão, escutarei na vitrola do pensamento aquele grito ensurdecedor da Janis, que você tanto gosta, que tanto abomino. acho que esta será a lembrança mais viva. O som perturbador dela e nós dois, sentados na varanda vendo a lua cheia.
A garrafa vazia debaixo da rede, do relógio em cima da cama, suas mãos pregadas nas minhas costas, sua respiração ofegante e intranquila, suas cismas e seus afetos. Tudo isso estará comigo. Seja coomo for.
Mas, amanhã cedo vou partir. Ainda que não sofra por essa despedida. Ainda que ame tua verdade como única. Irei. Meus pés já trilham outro caminho.
Talvez nos encontremos algum dia. Talvez não. Talvez essa despedida seja tão fácil e tão breve, a não saber contar no tempo. Talvez não.
Mas amanhã estarei de pé, pegarei a primeira viagem. Deixarei tua casa, tua vida. Bordarei na camisa uma saudade que carregarei sempre. Deixarei meu perfume para que de alguma forma também não fique esquecida.

**Não se esqueça de pintar aquele verão tão tropical, que me falou ontem a tarde, será dele a lembrança mais absurda!

Um beijo!

sábado, 17 de abril de 2010

Da falta


No som qualquer coisa que dói o coração
e um incenso de Pimenta.
"Tem dias que minha alma canta a solidão que você me deixou ao pegar o trem pela manhã.
Nesses dias, feridos de quase morte súbita, acolho-me num abraço de joelhos para que menor eu fique e a saudade doa menos.
Tento me perder na lembrança dos teus olhos de um verde-azul que me enfeitiça desde sempre, mas a palavra que pousa nesta trépida lembrança ainda é mais suja, desejo.
Nestes dias, onde meu coração parece ainda não bater, congelo o instante do adeus, para de um beijo ainda sinta o gosto. Sua boca, tão severa a morder-me dias atrás, guarda agora o pecado da falta que mesmo não querendo você cometeu.
Neste dia, que te procuro pelos cantos da casa, pelos lençóis floridos que perfumam nossas noites de suor e amor, neste dia, meu amor, deito-me com o pesar de quem parece só. Bebo da palavra sem vida, escuto o verso mais dolorido e a canção mais desarmônica. Porque somente a tua presença enfeita os meus dias, porque somente teus olhos de paz, dão-me coragem para seguir. Então, ajoelho-me num abraço para que de dor, doa menos. Então, recolho-me no silêncio da fotografia que tiramos naquele dia tão feliz, para que de amor, morra menos.
Resmungo a tua falta. Dóe-me as mãos a tatear no escuro o vazio que teu corpo deixou. Maldigo da tua ausência. Porque tenho febre de amor. Praguejo contra tua falta, porque de mim roubou a vida.
...
Mas em breve situar do tempo, apanho o ponteiro do relógio barulhento da sala e respiro, de leve vai passando a fúria, respiro. Já na esquina escuto seus passos mudos.
E de tua falta não morro. Vivo!