" Venha para o chá,mas, não se demore em me observar. Nos meus olhos existem abismos, que não sei se quero compartilhar.Venha, acomode-se na poltrona, acenda um cigarro se quiser, mas, não preste atenção em minhas falas, elas estão febrís e obsoletas, talvez porque não sei exatamente o que quero ou preciso dizer.
Demore-se no sabor dessa mistura, sinta o aroma que vem de encontro com meu perfume, mas, por favor, não se arrisque em perfurar a minha pele, feridas ainda abertas lutam pela cicatriz.
Venha tomar este chá comigo. Mas tente manter certa distância. A aproximação pode ser vilenta e não quero machucar um delicado momento como este.
Venha, por favor, para que eu não morra com meus gestos e delírios, mas, antes de apreciar, verifique a temperatura. Quente demais. talvez para um conforto maior.
Beba, delicie, vislumbre. Mas, por favor, tenha calma.
a minha pressa anda atrasada. e não quero que isso mude.



