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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Do convite

" Venha para o chá,mas, não se demore em me observar. Nos meus olhos existem abismos, que não sei se quero compartilhar.
Venha, acomode-se na poltrona, acenda um cigarro se quiser, mas, não preste atenção em minhas falas, elas estão febrís e obsoletas, talvez porque não sei exatamente o que quero ou preciso dizer.
Demore-se no sabor dessa mistura, sinta o aroma que vem de encontro com meu perfume, mas, por favor, não se arrisque em perfurar a minha pele, feridas ainda abertas lutam pela cicatriz.
Venha tomar este chá comigo. Mas tente manter certa distância. A aproximação pode ser vilenta e não quero machucar um delicado momento como este.
Venha, por favor, para que eu não morra com meus gestos e delírios, mas, antes de apreciar, verifique a temperatura. Quente demais. talvez para um conforto maior.
Beba, delicie, vislumbre. Mas, por favor, tenha calma.
a minha pressa anda atrasada. e não quero que isso mude.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Obsessão!

Vibro alucinante na palavra proferida.
Construo consciência a partir do verbo.
Não concebo a vida sem esse exercício tortuoso de ouvir a vibração sufocante das palavras.

Molho-me de uma chuva inventada
e em instantes estou absolutamente ensopada de palavras tão vivas como as gostas a me escaparem por entre os dedos.

Sofro do pior bem e do melhor mau de cada um.
Porque sugo de qualquer forma a essância primordial da matéria que faz palavra.
Afogo-me na bondade do gesto humano, como faço dele sacrifício de criação.

Aproprio-me não só do instante,
mas do olhar.
Ocupo não só o espaço,
mas a existência.
Debruço-me não só na vida,
mas na morte.
Porque fazendo isso
qualquer hora esbarro no mais tangível e no menos provável
e dou de cara com esse fantasma tão peçonhento
que é o verbo ainda não terminado!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Debaixo da vida


Debaixo da rua mora um homem.
Debaixo da luz, dorme um homem destraído.
Debaixo da cidade, humanos delinquentes tomam café com o jornal,
comem o pão esquecido na calçada tão seca quanto seus corações.
Debaixo da praça, das flores e das árvores mora um homem.
Mora um homem esquecido, desmanchado com a mesma borracha de que é feita seu estômago.
Debaixo da vida mora aquele homem de olhos temidos e feios cabelos.
Debaixo da chuva que nem mesmo pode lavar.
Debaixo de nós mora um homem.
Moramos juntos com a crueldade,
afinal,
até quando nos alimentaremos do pão do esquecimento?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


E delatando os poros acabo entrando naquela incrível sensação de que tudo me alimenta. Não conheço a fome, moro na incrível possibilidade da fartura!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vagas 1 ***


"Tenho o cego desespero quando abrindo a página percebo que ainda falta um pedaço....de mim!"