
"O cigarro aceso, a coca cola, os livros espalhados na cama, as roupas ao avesso no armário que prometera arrumar dias atrás. Esta é Joana, a menina mais rebelde o mundo. A que de sonhos enfeitou os seus braços, a que de amor morreu tantas vezes a não se acreditar, a que de repente cresceu tão pouco que ainda cheirava infância e jujubas;
de repente, Joana, tão ativa, tão infâme, tão mulher, pensou que amava este para sempre. sem mesmo saber onde era que começava tudo que sentia. Acreditou nesse pequeno delírio, mastigou e engoliu com tanta paixão, que de repente, mesmo assim, depois de um tempo diregida, ainda sim morreu mais uma vez de um amor que não queria. que não esperava.
mas que sentia.
Quisera ela ter feito as malas, fugido, abandonado, antes que deveras fosse tarde, antes que deveras não houvesse nada, mas, assim, medida por medidas desconhecidas, assumiu o desejo de ficar, sem muito pensar se realmente podia. Ficou. Porque no amor de Joana é assim. Instaura e fica. Não pede permissão. Não se acomada com aquela ternura dos apaixonados. Necessita de pavor, de fúria. de medo; de arriscar qualquer consequencia. Tenta ela, nesta mistura popularizar o amor romântico. Romantizar qualquer gesto insconsequente. Qualquer palavra problematizada. Qualquer sentimento engasgado.
Sim, esta é Joana, uma única em tantas, camaas e camadas de verniz, camadas e camadas de sentimentos brutos, de horrores brutalmente enfeitados. Jarros sobre a mesa de um crime tão passional quanto ela.
Sim, assim é essa Joana, de cabelos vermelhos, de olhos arregalados, de pele tão clara a perder-se em páginas tão brancas de palavras tão sujas. Sim é esta a Joana, tão enfeitada e divertida. Tão cheia de alegrias. Tão devotamente acompanhada. Sim. É está que vos falo. Menina tão mulher a trepidar. a derrubar em penhascos certezas de uma vida inteira.
Sim, calado a espreitar Joana, vos digo:
- Joana, tão bandida, tão menina. Tão cúmplice. tão Joana."


